O jardim: testemunha de uma vida

por Irmã Martine Zaman

O jardim faz parte integrante da nossa vida em La Solitude, da minha vida contemplativa em Sion!

Ele nos oferece a cada momento um “espetáculo”: quadros variados para contemplar… que quase poderíamos dispensar qualquer tela!

O ciclo natural e o ciclo litúrgico andam de mãos dadas

Flores que aparecem e desaparecem, arbustos e árvores, com suas cores mutáveis, ilustram os diferentes tempos litúrgicos que celebramos na capela. De fato, a cada ano, o ciclo natural e o ciclo litúrgico andam de mãos dadas…

Nosso Padre Teodoro não dizia:

“Existem três livros saídos da mão de Deus e cujos tesouros de beleza, verdade e amor você nunca esgotará. Esses três livros são: a Sagrada Escritura, o espetáculo da natureza e o coração do homem. É preciso estudar esses três livros e você encontrará a vida eterna”.

O jardim que se estende diante dos nossos olhos é testemunha de uma vida secular. Desde o século XIX, ele passou por toda uma evolução, deixando marcas visíveis até hoje. Nele encontramos o pomar plantado pelo general San Martin (que viveu aqui de 1834 a 1848) e a roseira cuidada pelo padre Teodoro. No final da alameda de tílias, chegamos à estátua de Nossa Senhora de Sion, e depois há aquela em torno da qual, todos os dias 8 de setembro, as irmãs recebiam sua obédience, ou seja, seus ministérios dentro da Congregação.

O clima adequado para deixar germinar a Palavra ouvida

Como no Génesis (2,15), onde Deus ordenou a Adão que “cultivasse e guardasse” o jardim do Éden, tenho a feliz tarefa de cuidar do jardim de Grandbourg! Lá, vivo em proximidade com a terra, que “fala” e toca todos os sentidos humanos. Encontro lá o silêncio indispensável e o clima adequado para deixar germinar a Palavra ouvida. O canto dos pássaros e o som do vento nas árvores me acompanham.

Os buquês da capela não são uma expressão de nossa vida eucarística: retornar à Fonte de tudo o que nos foi dado?