Ao refletirmos sobre este momento sagrado, em meio às lágrimas e à dor de tantas pessoas ao redor do mundo, surge inevitavelmente a pergunta:
“Como podemos ter esperança nestes tempos de incerteza?”
Todos os dias, os conflitos trazem mortes que carregam o peso e o significado da pedra rolada à entrada do túmulo de Jesus e sugerem que a esperança morreu para sempre.
No entanto, para Jesus, a morte não foi a palavra final; e não o é para nós também.
Em sua vida terrena, Jesus não se afastou da dor. Ele chorou pela morte de seu amigo Lázaro, em solidariedade com suas irmãs Maria e Marta, mesmo sabendo que o ressuscitaria dos mortos. Ele mergulhou no sofrimento, a fim de transformá-lo por dentro.
Ele nos mostrou que as lágrimas são mais do que uma mera expressão de tristeza; elas nos convidam a nos deixar tocar pela dor dos outros e a compartilhá-la com eles. Chorar é revelar nossa humanidade, é abrir-nos a Deus e ao sofrimento do mundo. Chorar é amar.
O Evangelho nos conta que, naquela manhã de domingo, Maria Madalena e outras mulheres foram ao túmulo. A escuridão reinava, não apenas por causa da hora do dia, mas também em seus corações, porque Jesus havia sido morto. O silêncio do Sábado Santo, as lágrimas dos discípulos, a dor de Maria, encontraram sua resposta naquela manhã de Páscoa.
A alegria não veio em substituição às lágrimas, mas através delas. Jesus ressuscitado apareceu a Maria Madalena enquanto ela chorava. A transformação ocorreu quando Ele a chamou pelo nome: as suas lágrimas de tristeza transformaram-se em lágrimas de alegria e de proclamação.
Nós também estamos vivendo dias sombrios e tristes. As lágrimas que derramamos na fé, mesmo na dor, preparam nossos corações para reconhecer a Ressurreição.
Por meio da Ressurreição, Jesus nos dá a esperança de uma vida que pode continuar e ser vivida em plenitude. Se acreditarmos que as coisas podem mudar, se nos esforçarmos para transformar nossos corações, há esperança. Uma esperança de que a tristeza não prevalecerá sobre nós, mas dará lugar à alegria e à paz.
