Carta sionense de San José (março
de 1912)
Quem diria que o caro (sítio), o pequeno Três
Rios, tão alegre e tão risonho, estava vivendo
então seus últimos dias ! Com efeito, desde
os grandes abalos sísmicos de 1910, uma calma relativa
nos fazia pensar que tudo havia retornado à ordem,
no mundo dos vulcões ! […] Dormíamos
a sono solto, quando na noite de 21 de fevereiro, vésperas
da quarta feira de Cinzas, fomos precipitadas para fora
de nossas camas às 2 h da manhã por uma sacudidela
fortíssima, semelhante, em tempo, à de 13
para 14 de abril de 1910, embora não tão forte.
Acabávamos apenas, no correr da manhã, de
constatar os estragos da casa, quando as duas irmãs
enviadas por Nossa Madre (M.Christine) a Três Rios
para ver o que ali se passara chegavam consternadas. […]
Nossa pobre pequena casa a pouco tempo consertada e completamente
renovada no início das férias, estava inteiramente
destruída ! Uma raiva infernal parece ter-se exercitado
em traçar X e Y em todos os sentidos das paredes,
nenhum lugar ficou intacto, brechas enormes de dois ou 3
metros quadrados deixam ver o interior das salas, cobertas,
móveis, (etc). O quarto de Nossa Madre foi um dos
mais maltratados; sua cama ficou coberta de enormes tijolos,
e ali jazia em pedaços a estátua de Na. Senhora
de Lourdes que havíamos colocado antes da partida,
as telas de pintura de N.M. perfuradas lamentavelmente.
Na cozinha, o fogão solto e virado de lado, a capela,
a querida capelinha, sobretudo, em um estado desolador !
Enfim em todo lugar o espetáculo da destruição
e da ruína.
Mère Christine também parece ter sido abalada
por esses acontecimentos.
Carta
sionense de São José (junho de 1912), escrita
por M.Christine:
Os tremores de terra são quase contínuos
; e embora nos acostumemos pouco a pouco com eles, como
com tudo aqui na terra, no entanto, de vez em quando, um
abalo mais forte vem provocar o alarme e o pânico.
Foi assim que na noite que precedeu a festa de Corpus Christi,
uma terrível catástrofe se produziu ainda
nos arredores do Poas, destruindo várias aldeias
e ocasionando a morte de umas trinta pessoas. Tudo isto
parece ser um aviso do Céu !
Em 25 de outubro de 1912, ela
escreve a Mère Gonzalès (Superiora Geral)
::
“Comecei meu retiro lendo a nova edição
da regra; Vi com muita alegria que as poucas modificações
tão acertadas que foram feitas (na Regra) deixaram
intacto o trecho em que o Padre Teodoro previu a fundação
de uma casa contemplativa de Sion, caso a Providência
desse à Congregação o pessoal e os
recursos necessários.Parece-me bem estranho estar
sendo levada pelo bom Deus a falar disso à senhora;
mas quanto mais espero mais Ele insiste (ao menos é
o que me parece sentir). […]
Eis meu recado dado ; desculpe-me, a senhora
sabe que não gosto nada de me intrometer no que não
é da minha conta. Digo que isso não é
de minha conta, embora esteja pronta a fazer parte desta
casa se a senhora me enviar, como estou também pronta
a viver aqui até a morte, se a senhora preferir;
não tenho nisso nenhum projeto pessoal.”
« - O Amor está crucificado
-
Fui confidente.
Devo ser colaboradora
e instrumento.
Glória a Deus,
salvação das almas,
Só isso. »