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ANO 1910 (1)
Cartas sionenses de São José em 1910
Índice
IV - Novembro 2005
 


Vocês sabem, talvez, que nossa terra privilegiada, a Costa Rica, goza da posse de 12 vulcões, as crianças menorzinhas recitam orgulhosamente os estranhos nomes deles como uma das glórias de seu país. Em fevereiro passado, um desses vulcões, o POAS, teve uma ligeira erupção que consistiu em uma chuva de cinzas.

Durante a noite de 12 para 13 de abril uma forte sacudida de tremor de terra nos despertou bruscamente, mas a coisa não sendo nova, cada mestra de dormitório acalmou suas meninas e convidou-as a dormir novamente, quando uma segunda sacudida nos ovolcan Irazu brigou, ao contrário, a fazê-las se levantar, e foi bom, quase instantâneamente, uma terceira, das mais violentas, foi o sinal de uma descida precipitada dos dormitório para os pátios dos recreios. Imaginem, caras Madres e irmãs, umas sessenta meninas, das quais algumas bem pequenas, vestidas sumariamente com uma saia e enroladas em um cobertor arrancado da cama, precipitando-se nas escadas, no meio dos gritos provocados pelo terror. Passamos a noite, irmãs e meninas, nos pátios e nos jardins, as sacudidas renovando-se mais ou menos de quarto em quarto de hora.

Todo o primeiro andar tinha sido atingido sériamente, as paredes fendidas completamente em vários lugares, arcos partidos, brechas numerosas, vigas abaladas tornaram a habitação impossível, fomos pois obrigadas a evacuá-la absolutamente. A capela sobretudo foi muitíssimo estragada, a parede do fundo, atrás do altar, foi não somente fendida de ponta a ponta em vários lugares mas inclinava-se tanto para trás, assim como o nicho, que foi necessário sustentá-los provisoriamente.

Nossa vida quotidiana tinha mais ou menos retomado sua fisionomia normal. Estávamos na tarde de 4 de maio, as irmãs na Adoração, as internas no estudo; quando, bruscamente, às 6h50 uma sacudida assustadora, no sentido vertical, seguida de ondulações do terreno fizeram-nos todas pular para o jardim, as meninas choravam, gritavam, umas de joelhos com os braços em cruz sobre o chão que estremecia ainda; era evidente que nunca havíamos experimentado algo assim tão violento e que um grande desastre devia ter-se produzido. As crianças de Cartago que sabem a que ponto o Irazu é perigoso para a cidade por sua proximidade, estavam particularmente assustadas pensando em suas famílias. Com efeito, por volta de 11 horas da noite, homens à cavalo traziam a notícia que Cartago não era mais do que um monte de ruinas.

No dia 15 de agosto nossa Madre quis oferecer à Nossa Senhora uma prova de gratidão por nossa preservação milagrosa e foi organizada uma grande procissão.

 
Eu estava em São José, em 1910, tinha havido tremores de terra muito fortes, mas a antiga capela ainda estava de pé. Era aí que eu estava fazendo o meu retiro, sozinha, como sempre, quando, na festa de Santa Teresa fui totalmente modificada no íntimo de minha alma. Foi minha grande conversão (precedida e seguida de muitas outras, menos radicais). Era obra exclusiva de Deus. Dizia respeito somente à minha alma e não deixava prever o que aconteceu depois.
(M. Christine : Sobre a origem do Ramo Contemplativo)
 
No dia 19 de outubro houve um tremor de terra de menor importância: estávamos reunidas na capela para a bênção; umas trinta meninas ainda sob a impressão das terríveis catástrofes deste ano, escaparam gritando nos pátios ondo algumas dentre nós foram bem depressa para acalmá-las; entretanto, em geral, os espíritos estão muito mais tranquilos. Cartago é reconstruída rapidamente e repovoada em consequência; em São José também graciosas moradias todas em madeira e fibro-cimento se elevam em todo o canto; nós mesmas recebemos a permissão de construir nossos novos dormitórios no andar térreo, atravessando os jardins, e os trabalhos vão começar. Os operários não deixaram a casa desde o mês de Abril.

« Era para mim uma nova existência, entrava na verdadeira vida, onde a gente está sempre feliz,
em qualquer lugar, aconteça o que acontecer. »
 
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